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ARTIGOS

Perdas e Luto
Maria Aparecida de Assis Gaudereto Mautoni

O luto por morte de um ente querido é um evento significativo e que dificilmente será considerado superficial. O luto é uma reação normal após vivenciar uma situação de estresse como: uma perda de uma pessoa querida, de um bichinho de estimação, o término de um relacionamento amoroso ou uma perda de emprego. E, para a adaptação destas perdas, é importante percorrer o processo de luto, para que o enlutado vivencie as transições psicossociais, as mudanças de percepções e a organização de si mesmo, ou seja, reorganizar a vida sem a pessoa que morreu ou o objeto perdido.
O luto não deve ser visto como uma doença, mas um processo que deve ser vivido e respeitado pela sociedade e familiares. A expressão do luto é considerada um trabalho ou tarefa, e precisa de um tempo para ser elaborado. O processo de luto foi entendido a partir de suas fases descritas por Bowlby tais como: entorpecimento, busca e saudade, desorganização e desespero, reorganização. Essas fases são definidas pelas reações no comportamento, físico, emocional, social e espiritual. Não necessariamente todas as pessoas seguem essa ordem e ou apresentam todas as fases.
O luto pode ser traumático quando a morte for súbita, violenta e inesperada. Dentre vários tipos de morte, a morte de um filho pode desencadear um luto complicado pela difícil assimilação da perda. Os pais esperam que os filhos os enterrem, e quando essa ordem modifica, morre com este sonhos e expectativas de futuro. A experiência da perda de um filho amado é desencadeada por eventos significativos, e estes fazem a pessoa buscar na religião força para enfrentar e continuar a viver.
Outro tipo de morte súbita e difícil de ser elaborada é a morte por suicídio. A perda de um filho, um dos cônjuges ou de uma pessoa significativa, pode desenvolver um luto complicado para toda a rede familiar. A experiência de culpa e vergonha, estigma social e isolamento, bem como a busca desesperada pelo significado da morte pelo enlutado e o risco aumentado de suicídio, por exemplo, pode estar presente. A morte por suicidio traz questionamentos e inquietação para os sobreviventes. 
O processo de luto oferece ao enlutado a oportunidade de se desvincular dos laços construídos com a pessoa que morreu. Pode-se afirmar que, a intensidade de como foi desenvolvido os laços afetivos, as circunstâncias da morte e as expectativas futuras esperada com a pessoa que morreu, pode, de certa forma, desencadear para um luto complicado, quando este, não recebe apoio na rede familiar, social e espiritual.
Referências Bibliográficas:
BOWLBY, J. Apego e perda. Volume 1: apego. 2.ed. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
PARKES, C. M. Luto: estudos da perda na vida adulta. Trad. Maria Helena p. Franco. São Paulo; Summus, 1998.
SOARES, E. G. B. & MAUTONI, M. A. A. G. Conversando sobre o luto. São Paulo; Ágora, 2013.
WORDEN, J. W. Terapia do luto; um manual para o profissional de saúde mental. Trad. Max. Brener e Maria  Rita Hofmeister. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas,1998.